Caso Master: antes de culpar o mercado, olhe quem regulava
Redação
Quando um banco quebra, a narrativa mais fácil é apontar o dedo para o capitalismo. É conveniente, poupa o trabalho de perguntar onde estava o regulador — que existe exatamente para evitar isso — enquanto o problema se acumulava.
O Caso Master é um teste de honestidade intelectual. Quem defende regulação estatal como solução para tudo precisa explicar como uma instituição sob supervisão do Banco Central acumulou esse nível de risco sem disparar nenhum alarme formal. A resposta passa pela qualidade da supervisão — não pela ausência do Estado, mas pela ineficiência de como ele escolheu atuar.
Nos anos em que o país priorizou austeridade, desburocratização e menos interferência na iniciativa privada, o sistema financeiro gerou mais concorrência, mais transparência e mais acesso ao crédito. Fintechs cresceram, o ambiente de negócios melhorou. Não foi acidente: foi resultado de um ambiente institucional mais previsível, com menos captura política das decisões econômicas.
O problema do Caso Master não é que o mercado existiu. É que, em determinado momento, os incentivos foram distorcidos — e a supervisão não corrigiu antes do estouro. Isso é falha do regulador. Pedir mais Estado depois que o Estado falhou em sua função básica é um argumento que merece mais escrutínio do que costuma receber na imprensa.
Eficiência não se decreta. Constrói-se com menos burocracia, menos interferência e mais responsabilização de quem falha — inclusive dentro do Estado.