Caso Master: o Estado não pode ser o último a saber — e o primeiro a pagar
Redação
Quando um banco privado acumula bilhões em riscos que o sistema regulatório deveria detectar com antecedência, e o contribuinte termina pagando a conta, o problema não é só técnico. É político. É de escolha. É de quem você protege quando a música para.
O Caso Master expõe uma lógica que já víamos antes: a socialização dos prejuízos como regra silenciosa do capitalismo financeiro brasileiro. Enquanto os lucros ficaram nos balanços dos acionistas — e nos bônus dos executivos —, o rombo foi disfarçado de “proteção ao depositante”. Não era. Era proteção ao acionista, embrulhada em papel de presente.
O governo atual herdou um sistema de supervisão que, por anos, priorizou a “autonomia do mercado” como dogma. Autonomia para crescer, claro. Mas quando o crescimento virou bolha, o dogma foi discretamente guardado na gaveta, e o Banco Central teve que agir como bombeiro — o mesmo Banco Central que combate a inflação com juros que estrangulam o crédito produtivo e travam o emprego.
Não é anticapitalismo dizer que regulação funciona. É história. Os países com sistemas financeiros mais sólidos têm supervisão forte, prevenção ativa e restrições claras ao risco sistêmico. O Brasil que se quer no futuro precisa escolher: constrói um Estado capaz de antecipar crises, ou continuará pagando por elas depois que já viraram manchete.
O mercado funciona bem quando as regras são claras e cumpridas por todos — especialmente por quem tem mais poder para desviar delas.