ANP realiza nesta quarta os maiores leilões de petróleo da sua história, com 326 blocos em oferta
Redação
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realiza nesta quarta-feira (7) dois leilões que, juntos, colocam 326 blocos de exploração e produção em disputa. Segundo a própria agência, são as maiores rodadas já promovidas pelo órgão.
Pela manhã, às 9h, ocorre o 4º ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, com 13 blocos do pré-sal nas bacias do Sudeste: cinco na Bacia de Campos (Magnetita, Turmalina, Hematita, Larimar e Azurita) e oito na Bacia de Santos (Jade, Aragonita, Cruzeiro do Sul, Opala, Granada, Cerussita, Rubi e Rodocrosita). Estão habilitadas 19 empresas, entre elas Petrobras, BP, Chevron, Shell, Equinor, Sinopec e TotalEnergies.
À tarde, às 14h, é a vez do 6º ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com 313 blocos exploratórios distribuídos em 22 setores, em áreas terrestres e marítimas, incluindo dois setores na Bacia do Ceará, na chamada Margem Equatorial, nova fronteira de exploração que desperta interesse após descobertas na vizinha Guiana e no Suriname. Há 46 empresas aptas a participar.
O pré-sal responde atualmente por 82,6% da produção brasileira de petróleo e gás, segundo dados de setembro de 2026. O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, avalia que, em uma indústria que exige investimentos de longo prazo e previsibilidade, a oferta de novas áreas é essencial. Já o pesquisador Francismar Ferreira, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (INEEP), alerta que, às vésperas dos 20 anos do pré-sal, parcelas crescentes de seu potencial energético podem ficar sob controle de atores externos.
Os leilões também são alvo de contestação. O Instituto Arayara entrou com ações na Justiça apontando sobreposição de alguns blocos com territórios indígenas, terras quilombolas e áreas de pesca. Na segunda-feira (5), a ANP retirou da oferta cinco blocos da Bacia do Parnaíba, após identificar erros nos critérios socioambientais.
Fonte: Agência Brasil