Coletânea reúne poetas invisibilizadas ao longo de quatro séculos
Redação
Para as autoras mulheres, só escrever nunca é uma opção. Autora do livro Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras (Bazar do Tempo), a pesquisadora Ana Rüsche conclui que essa é uma marca identificada entre os nomes reunidos na obra, como Martha de Hollanda (1903–1950), Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), e Beatriz Nascimento (1942-1995).
“São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Isso é muito comum na vida das poetas, elas sempre fazem várias coisas ao mesmo tempo: elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres. Só escrever nunca é uma opção”, declarou Ana, que é professora de teoria literária na Universidade de Brasília (UnB).
Na obra, que tem coautoria de Lubi Prates, as escritoras traçam um panorama da poesia brasileira escrita por mulheres, do século 18 às primeiras décadas do século 21, que sofreram com o apagamento histórico. Além de reunir poemas das autoras, o livro apresenta os perfis e suas trajetórias pouco conhecidas.
Ana Rüsche participou de roda de conversa na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica, durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Participaram da mesa também Claudia Roquette Pinto, Esmeralda Ribeiro, Maria Manoella e Marília Kubota.
Neste ano, a autora homenageada da Flip é a poeta Orides Fontela (1940-1998), cuja obra também permaneceu invisibilizada diante do grande público durante boa parte da vida e mesmo depois de sua morte.
“O livro recupera obras que estavam esquecidas e separadas. Um dos méritos do livro é fazer a reunião, organizar esse corpus de poemas que estavam todos fragmentados”, explicou Ana Rüsche sobre a obra, que se apoia no trabalho prévio de historiadoras e estudiosas da literatura escrita por mulheres desde o século 19.
Fonte: Agência Brasil